Médico atirou ao menos 4 vezes em PM em operação contra atestados para tirar presos da cadeia em SC
05/05/2026
(Foto: Reprodução) Operação mira em esquema de atestados para tirar detentos da prisão em SC
O médico de Santa Catarina preso por atirar em um policial militar nesta terça-feira (5) disparou ao menos quatro vezes em direção ao agente, segundo a corporação. A ação aconteceu durante a operação “Efeito Colateral”, que investiga a emissão de atestados falsos para garantir prisão domiciliar a detentos, incluindo lideranças criminosas. Ao todo, quatro pessoas foram presas.
O crime aconteceu na casa do médico, em Camboriú (SC). No local, a polícia apreendeu uma pistola, um revólver, uma espingarda, além de munições e outros objetos. Procurado, o Conselho Regional de Medicina (CRM) disse que irá investigar a atuação dele no esquema de fraudes.
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O agente ferido foi atingido na perna e levado a um hospital da região. Nesta tarde, o comando detalhou que ele está estável. A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco)
Ao g1, a defesa de Marcelo Marques Costa informou que ainda não teve acesso aos autos do processo e que busca a íntegra da acusação para se manifestar.
Mais de R$ 100 mil em espécie
No total, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e no Paraná. Durante a ação, foram apreendidos mais de R$ 100 mil em espécie (assista ao vídeo acima).
Além do médico, também foram presos uma advogada, uma secretária e um detento beneficiado pelo esquema. A secretária é suspeita de negociar valores e agendar consultas com os presos, enquanto a advogada faria a intermediação entre os criminosos e o médico, além de protocolar pedidos de prisão domiciliar com base nos atestados.
O grupo simulava comorbidades graves e inexistentes para fundamentar pedidos de liberdade ou prisão domiciliar.
Em nota, a defesa da advogada Amanda Letícia Moraes Cunha informou que está à disposição da Justiça e colaborando com as autoridades.
A defesa da secretária Juliete Francisco informou que ela não tinha qualquer envolvimento ou autonomia na emissão de documentos médicos, limitando-se apenas a funções administrativas.
Além dos profissionais, também são alvos da operação detentos que receberam os benefícios de prisão domiciliar e estão atualmente foragidos.
O g1 tenta contato com a defesa dos demais investigados.
Operação mira em esquema de atestados para tirar detentos da prisão em SC
Gaeco/Divulgação
Cidades onde os mandados foram cumpridos:
Camboriú
Itajaí
Balneário Camboriú
Barra Velha
Gaspar
Navegantes
Joinville
Itapema
Porto Belo
Pinhais (PR)
Pontal do Paraná (PR)
O que disse o CRM
"O CRM-SC informa que irá apurar a conduta ética do médico mencionado na reportagem, diante da suspeita de emissão de atestado falso".
O que disse a defesa da advogada
"Diante da operação deflagrada nesta data, a defesa da investigada esclarece que está à disposição da Justiça e colaborando com as autoridades. É precoce qualquer conclusão sobre os fatos, uma vez que o acesso aos autos ainda não foi integralmente liberado à defesa. Reiteramos a confiança na Justiça e a convicção de que a inocência da representada será comprovada ao longo do procedimento, demonstrando que sua atuação profissional sempre pautou-se pela legalidade".
O que disse a defesa da secretária
"A defesa de Juliete Francisco, representada pela advogada Suellen Maffezzolli (OAB/SC 57.212), esclarece que a sua cliente ocupava apenas o cargo de secretária na clínica investigada.
Ressaltamos que Juliete não tinha qualquer envolvimento ou autonomia na emissão de documentos médicos, limitando-se apenas a funções administrativas. A defesa já está tomando as medidas cabíveis para esclarecer os fatos à Justiça e provar que ela é inocente.
Reiteramos o compromisso com a verdade e a plena confiança de que sua liberdade será restabelecida em breve."
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